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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

10 Razões que podem conduzir ao fim da amamentação

 

A maior parte das mulheres quer amamentar, vontade que começam a manifestar nas últimas semanas de gravidez e que poderá consolidar-se quando se dedicam a ler sobre o assunto, quando fazem preparação para o parto e a amamentação é abordada, ou quando existem referências familiares ou de amigas que amamentam.

No entanto, depois do bebé nascer, às vezes esse desejo parece desabar de um momento para o outro, à primeira dificuldade. Para muitas mulheres, isso representa um sentimento de fracasso, de tristeza, de frustração… mas não precisa ser assim. Os dados do aleitamento materno (AM) em Portugal indicam que aos três meses de idade apenas cerca de 40 por cento dos bebés continuam a ser exclusivamente alimentados com leite materno. Metade das mães desiste de amamentar antes dos seis meses do bebé.
Então, que causas estão na desistência da amamentação?
1 – Não pedir ajuda
Hoje em dia já há inúmeros locais físicos e sites fidedignos na internet onde é possível obter informações corretas sobre amamentação. Existem conselheiras e consultoras na área do aleitamento materno espalhadas pelo país que podem tirar todas as dúvidas por telefone, mail ou presencialmente. (Também o Amament’Arte presta esse serviço gratuitamente). Há dicas muito simples que fazem toda a diferença no seguimento da amamentação e é muito raro o problema que não se ultrapassa. Pedir ajuda quando surgem dificuldades é determinante para o sucesso da amamentação.

2 – Pensar que dar leite artificial vai resolver todos os problemas
Isto é um engano, mas é compreensível que exista esta ideia: estivemos demasiados anos com a indústria dos leites a indicar que é fácil, seguro, natural… como qualquer marca que apregoa o seu produto. No fundo, todas as mães sabem que não é o mesmo que o seu próprio leite, mas ainda assim, cedem, por insegurança ou falta de informação. O problema é que quanto mais cedo se oferece LA, mais a produção do leite materno diminui, o bebé deixa de ter a proteção que o LM lhe confere, aumentam riscos de saúde para o bebé e para a mãe. Além disso, realmente nada é mais fácil do que oferecer mama, em vez de usar a panóplia de utensílios que o LA exige. Antes de ceder ao LA fale com uma Conselheira em Aleitamento Materno.

3 – Dúvidas sobre insuficiência do leite
Realmente uma mãe que amamenta não sabe verdadeiramente quanto ingere o seu bebé. Precisa saber? A regra para garantir que ele está bem alimentado é simples: se o bebé tem fome, amamente! Quantas vezes forem precisas, sem ligar a horários. Ele dará sinais evidentes de que está perfeitamente satisfeito. E se há dias em que ele parece insaciável, torne a amamentar. Quanto mais o fizer, mais leite terá, acompanhando sempre as necessidades e o crescimento do bebé.

4 – Influências por opiniões duvidosas e negativas
“O seu leite é fraco. O bebé mamou há pouco tempo e está a passar fome. Quando for trabalhar desmame-o. LM a partir dos 12 meses já não tem qualquer valor. Se der LA em biberão ele dormirá melhor." Enfim, há uma lista imensa de opiniões menos corretas que é preciso ignorar por completo. Escute unicamente pessoas habilitadas e com boas experiências de amamentação, ponha em ação dicas valiosas e simples e depois… desfrute de cada momento maravilhoso de amamentação!

5 – Imposição de horários de mamada
O bebé tem o seu próprio ritmo e decide quando tem fome. Nos primeiros dias ele demorará mais tempo a mamar. De tempos a tempos, nas semanas seguintes e por períodos de 2 a 4 dias, ele ainda precisará mamar mais vezes, pois atravessa picos de crescimento. Ofereça sempre que ele precisar. Assim permitirá que a sua produção esteja sempre adaptada às necessidades dele, e o seu peso e crescimento serão a bom ritmo. Controlar ou impor horários pode significar o oposto.

6 – Introdução de biberão porque o pai também deve participar nas tarefas
Alimentar o bebé não é a única forma do pai contactar e conviver com ele e aprender a amar. Aliás, é apenas uma. O pai pode fazer tudo o resto: segurá-lo, mimá-lo, mudar fraldas, dar banho, mudar roupa. Também pode estar sempre por perto para aquele apoio físico e para o mimo especial que a mãe tanto precisa nos primeiros dias após o parto. Amamentar deve competir unicamente à mãe. Cair no erro de introduzir biberão para integrar o pai nas tarefas pode revelar-se uma ameaça à amamentação, pois o bebé poderá preferir a facilidade da tetina. Logo, é também uma ameaça à produção de LM.

7 - Vergonha ou medo de amamentar em público
Há mulheres que não gostam de se expor. É compreensível. Essa vergonha ou medo também é mais frequente quando se trata de um primeiro filho, ou até quando o bebé começa a crescer e terceiros opinam que já é altura de desmamar. Embora hoje em dia a maior parte das pessoas elogie uma mãe que amamenta, uma crítica pode vir de qualquer lado, seja da família, seja do transeunte que passa junto ao banco de jardim. Mas não querer amamentar em público unicamente com medo do que as pessoas pensam não tem grande fundamento. Quem amamenta está a proceder corretamente. Se a preocupa sair de casa por causa da amamentação e da exposição da mama, escolha um local mais resguardado ou leve roupa prática. Mas lembre-se desta frase engraçada que lhe pode dar alguma força em relação a opiniões de terceiros: “If breastfeeding offends you, put a blanket over your head!” Tradução: “Se ver amamentar o incomoda, ponha uma fralda sobre a sua cabeça”.

8 – Desmame do bebé porque se aproxima o regresso ao trabalho
Esta é, claramente, uma ideia errada. Não só o bebé não deve ser desmamado, como a preparação para o regresso ao trabalho deve ser feita sobretudo pela mãe e não pelo bebé, ou seja, a mãe pode começar, aproximadamente um mês antes, a tirar e congelar o seu leite para que mais tarde seja dado por quem vai ficar com o bebé. Saber e conseguir extrair pode necessitar de algum treino, mas quando não consegue, de todo, faze-lo, pode ser traçado um plano alimentar de forma a que os alimentos complementares sejam dados na creche ou ama, e em casa o bebé continue a ser amamentado. O leite materno é o principal alimento do bebé até aos 12 meses.

9 – Seguir, sem questionar, a opinião do profissional de saúde que desincentiva a amamentação
Por desconhecerem como se resolvem algumas situações (às vezes simples) da amamentação, normalmente relacionadas com peso, com choro do bebé, com gretas ou com inseguranças das mães, ainda há profissionais de saúde que recomendam, de imediato, a introdução do LA como suplemento ou como substituição do LM. Antes de seguir cegamente esta indicação, peça uma segunda opinião, de preferência a uma Conselheira em Aleitamento Materno ou a um pediatra amigo da amamentação. A maior parte das situações resolve-se facilmente e raros são os casos em que a mãe precisa de dar LA.

10 – Dúvidas e Inseguranças das suas capacidades
As alterações hormonais e o cansaço natural do pós-parto, a juntar a noites de pouco descanso e ao choro do bebé levam muitas mães duvidar da sua capacidade como lactantes e do seu leite. Quando já segue todas as dicas para uma amamentação bem-sucedida, é quase certo que a causa do choro não é fome, não é o seu leite. Novamente, procure ajuda. E lembre-se: você não é a única. Muitas mulheres superaram os mesmos problemas. Confiança! Também vai conseguir! E nós estamos cá para ajudar!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O regresso ao trabalho

Agora que tudo estava a correr bem, surge um novo desafio: aproxima-se o regresso ao trabalho. Uma certa angústia surge em muitas mães. Mas uma coisa é certa: regressar ao trabalho não significa o fim da amamentação.

Quando o regresso ao trabalho se faz após os seis meses de idade, talvez se torne mais prático para muitas mães deixar os bebés entregues a outras pessoas com, pelo menos, uma ou duas refeições de outros alimentos, sejam sopas, frutas ou papas e até o leite materno para preparar tudo isto.

No entanto, a maior parte das mães não tem esta possibilidade. A maioria regressa ao trabalho aos quatro ou cinco meses de vida do bebé. Para tentar seguir a recomendação da Organização Mundial de Saúde de que os bebés devem ser amamentados, exclusivamente com leite materno, até aos seis meses, as mães podem, com aproximadamente um mês de antecedência, começar a preparar o regresso.
Isto significa que podem começar a extrair e conservar, no congelador, uma reserva de leite que garantirá alimento até o bebé perfazer os seis meses de idade, após os quais começa a ingerir outros alimentos. Uma vez que a mãe ainda está de licença de maternidade, há vários momentos do dia em que pode tirar leite: após o bebé ter mamado, sabendo que está satisfeito e não voltará a mamar brevemente, ou criando uma mamada “fictícia” e regular, numa altura do dia em que o bebé não costuma mamar. O período da manhã costuma ser adequado, uma vez que durante a noite é o período em que mais se produz.
A mãe pode tirar leite fazendo a extração manual, um processo simples, mas que por vezes exige algum treino. Para as mães que não conseguem extrair manualmente, o mercado já oferece inúmeras soluções de bombas de amamentação, pelo que hoje em dia é mais fácil manter o aleitamento materno exclusivo até aos seis meses.
A hora de almoço nos dias de trabalho pode ser aproveitada para fazer uma extração cuja quantidade pode ser congelada ou então levada, no dia seguinte, para a ama ou infantário, para ser bebida ou comida com papa não láctea, na sopa, etc.

As quantidades a congelar e que acompanham o bebé na ida para escola ou ama devem variar entre 150, 100, 50 ml ou outras que a mãe considere mais adequadas ao que o bebé costuma mamar. A variação de quantidades enviadas é importante, pois caso o bebé não fique satisfeito, por exemplo, com 150 ml, rapidamente se aquecem mais 50 ml. O contrário, ou seja, aquecer demasiado leite, pode significar desperdício.
Mesmo quando a mãe opta por introduzir os alimentos antes do meio ano, pode perfeitamente continuar a amamentar o bebé quando já se encontra com ele em casa, não havendo necessidade de introduzir outro leite.
O leite materno é o principal alimento até ao ano de idade e quando o bebé está com a mãe pode ser oferecido mesmo antes ou depois do jantar, por exemplo, bem como durante a noite, ao acordar, e ainda mais vezes nos dias em que a mãe está em casa. Isto permite manter a produção adequada e durante mais tempo.